29.11.04

Ando a ler isto. A má tradução torna a leitura um pouco penosa, e vou ver se arranjo a edição inglesa ou americana. É uma obra fascinante sobre o jazz, mas não só -- é também o livro mais interessante que vi até hoje sobre a cultura urbana do século XX.
26.11.04

Os Ó Qu'Estrada (espero que seja assim) foram uma muito agradável revelação ontem na ZDB, mesmo sem contrabaixista. Um espectáculo hilariante, muito bem encenado, sempre em tom de aparente improviso. Compensaram largamente a desilusão dos Corações de Atum: o Manuel João Vieira não conseguiu descolar-se do personagem que criou, o público também não, e a sensação de decadência começa a ser penosa.

Um clássico lisboeta: o Monumental Salão de Jogos, na Álvares Cabral. É um dos raríssimos estabelecimentos da época que permanece quase intocado. Suponho que deve ser contemporâneo da própria avenida onde fica, portanto terá uns 60 anos mais ou menos.
24.11.04

Mais uma sessão das Therapy Mondays que o Yari tem organizado no Souk, desta vez com o Pedro Madaleno como convidado (os outros não sei quem são para não variar). Não é extraordinário mas é muito interessante.
Uma revista online para matemáticos e outros curiosos: The Sum.
Eis a manchete do número de Maio de 2003:


A baby girl was recently born in Tranent, East Lothian and her arrival on the first of February, 2003, at 4.50am weighing in at six pounds and seven ounces must have especially delighted her statistician father.
No doubt he is now calculating the probability of his daughters birth on 1.2.03 04.50 with her birth weight of 6lbs 7ozs and analysing the statistical chance of that.
Além de feita por matemáticos, só podia ser inglesa como se vê.

Já agora, recomendo vivamente a leitura do número especial sobre a lei de Murphy, que descreve 'o maior estudo científico de sempre sobre a Lei da Torrada de Murphy' ('as torradas caem sempre com a manteiga para baixo'), com o patrocínio da manteiga Lurpak. Foram provocadas quase 10 mil quedas de torradas, verificando-se que 62% caíam com a manteiga para baixo. Outra experiência mostrou que ao aumentar a altura de queda a probabilidade de a torrada ficar de manteiga para baixo diminui. Explicação: a torrada vira-se ao cair, e não percorre a distância suficiente para virar-se de novo. É provável que o peso da manteiga também tenha influência.
Eis a manchete do número de Maio de 2003:

All the maths fit to print

A baby girl was recently born in Tranent, East Lothian and her arrival on the first of February, 2003, at 4.50am weighing in at six pounds and seven ounces must have especially delighted her statistician father.
No doubt he is now calculating the probability of his daughters birth on 1.2.03 04.50 with her birth weight of 6lbs 7ozs and analysing the statistical chance of that.
Além de feita por matemáticos, só podia ser inglesa como se vê.

Já agora, recomendo vivamente a leitura do número especial sobre a lei de Murphy, que descreve 'o maior estudo científico de sempre sobre a Lei da Torrada de Murphy' ('as torradas caem sempre com a manteiga para baixo'), com o patrocínio da manteiga Lurpak. Foram provocadas quase 10 mil quedas de torradas, verificando-se que 62% caíam com a manteiga para baixo. Outra experiência mostrou que ao aumentar a altura de queda a probabilidade de a torrada ficar de manteiga para baixo diminui. Explicação: a torrada vira-se ao cair, e não percorre a distância suficiente para virar-se de novo. É provável que o peso da manteiga também tenha influência.
Outra excelente página é esta Star Links, de que alguns talvez já tenham ouvido falar por causa do livro do Jorge Buescu 'Da Falsificação dos Euros aos Pequenos Mundos' (o capítulo em que se fala disto está online aqui). A página funciona com um programa que usa a Internet Movie Database para averiguar o número de ligações entre quaisquer dois nomes que constem da gigantesca base de dados de filmes da IMDB. Pode-se verificar todos os tipos de ligações perversas que nos venham à cabeça, como esta:

Os dois ex-candidatos à presidência dos EUA ficam empatados e mais próximo do Hitler do que o Cunhal:


O Otelo está mais próximo do Bush do que se pensa

e o Bin Laden e o Saddam ainda mais, como seria de prever (embora aqui com um pouco de batota da minha parte).

Isto é como a Bíblia -- pode-se tirar todas as conclusões que se quiser e também as opostas dessas.

Os dois ex-candidatos à presidência dos EUA ficam empatados e mais próximo do Hitler do que o Cunhal:


O Otelo está mais próximo do Bush do que se pensa

e o Bin Laden e o Saddam ainda mais, como seria de prever (embora aqui com um pouco de batota da minha parte).

Isto é como a Bíblia -- pode-se tirar todas as conclusões que se quiser e também as opostas dessas.

O meu avô paterno chegou à net. É este senhor, que foi médico, delegado de saúde em Câmara de Lobos e presidente da respectiva câmara durante um mês (suponho que é por isso que algum curioso da história local fez esta página), em 1918.
23.11.04
"Havia aqui uma casa de meninas na Travessa dos Fiéis de Deus, mas mais respeito. Calavam-se quando passávamos. Agora fazem o sexo em cima dos carros", diz Domitília Morgado, uma idosa moradora no Bairro Alto.
Pergunto-me o que pensará disto José Manuel Fernandes, ou qualquer outro dos opinadores neoconservadores que estão sempre a alertar para a decadência e o relativismo moral das sociedades modernas. Não se isto tem alguma coisa a ver com relativismo moral, mas a verdade é que sociedades não tão modernas como o Bairro Alto destas senhoras eram assim, sempre em harmoniosa convivência quando não desatavam à pancadaria (o que era muito frequente), a assaltarem-se uns aos outros e aos forasteiros, a embebedarem-se nas tascas, os chulos a baterem nas putas, os maridos a baterem nas mulheres, as mulheres a baterem nos filhos, os filhos a baterem nos mais novos, enfim, a alegre e saudável vida de bairro típico. Agora, pessoas a divertirem-se, a namorarem com quem lhes apetece, isso sim é uma pouca-vergonha intolerável. Já dizia o célebre Manel do Estádio que no tempo dele 'as putas cobravam'.
Faz-me confusão a conversa do relativismo moral contemporâneo. Antigamente não se devia roubar, só em caso de necessidade, não se devia bater nas mulheres, excepto se elas estivessem mesmo a pedii-las, não se devia matar, só em último caso, não se devia discriminar, excepto se a pessoa nos fosse superior ou inferior, não se devia enganar ninguém, fora os otários, e por aí fora. Ah, mas isso era nos meios populares, diria um neoconservador. Não era nada. Os meios sociais mais elevados talvez fossem menos violentos no interior, mas não se respeitava a dignidade dos que a eles não pertenciam, as pessoas aldrabavam-se umas às outras e reinava a hipocrisia. Que valores absolutos serão esses que se relativizaram? Não estou a ver. Só se forem valores como os de lamber botas, não dar escândalo, não dizer o que se pensa, manter as aparências, meter o nariz na vida alheia, contentar-se com o que nos dão.
Pergunto-me o que pensará disto José Manuel Fernandes, ou qualquer outro dos opinadores neoconservadores que estão sempre a alertar para a decadência e o relativismo moral das sociedades modernas. Não se isto tem alguma coisa a ver com relativismo moral, mas a verdade é que sociedades não tão modernas como o Bairro Alto destas senhoras eram assim, sempre em harmoniosa convivência quando não desatavam à pancadaria (o que era muito frequente), a assaltarem-se uns aos outros e aos forasteiros, a embebedarem-se nas tascas, os chulos a baterem nas putas, os maridos a baterem nas mulheres, as mulheres a baterem nos filhos, os filhos a baterem nos mais novos, enfim, a alegre e saudável vida de bairro típico. Agora, pessoas a divertirem-se, a namorarem com quem lhes apetece, isso sim é uma pouca-vergonha intolerável. Já dizia o célebre Manel do Estádio que no tempo dele 'as putas cobravam'.
Faz-me confusão a conversa do relativismo moral contemporâneo. Antigamente não se devia roubar, só em caso de necessidade, não se devia bater nas mulheres, excepto se elas estivessem mesmo a pedii-las, não se devia matar, só em último caso, não se devia discriminar, excepto se a pessoa nos fosse superior ou inferior, não se devia enganar ninguém, fora os otários, e por aí fora. Ah, mas isso era nos meios populares, diria um neoconservador. Não era nada. Os meios sociais mais elevados talvez fossem menos violentos no interior, mas não se respeitava a dignidade dos que a eles não pertenciam, as pessoas aldrabavam-se umas às outras e reinava a hipocrisia. Que valores absolutos serão esses que se relativizaram? Não estou a ver. Só se forem valores como os de lamber botas, não dar escândalo, não dizer o que se pensa, manter as aparências, meter o nariz na vida alheia, contentar-se com o que nos dão.

Já agora, por falar em Bach, este é um dos melhores sites que alguma vez conheci. É uma biografia ilustrada do mestre, com um mapa clicável das cidades por ele passou, feita por

Jan Koster, um professor de linguística holandês. Além deste, Koster tem outros sites indispensáveis sobre Bach, como este Bach Tourist, um diário de viagem pelas cidades onde Bach viveu.

Em 1705, o jovem João Sebastião andou à porrada com um colega músico nesta praça em Arnstadt.

Esta é a compositora americana Jan Hanford, com quem Koster fez a JS Bach Homepage, um veradeiro monumento internético.
Jan Hanford é uma melómana ecléctica, com uma lista de preferências que vai da Laurie Anderson aos Wire.
A prática de se ouvir música em salas públicas parece ter começado na época barroca, em primeiro lugar com a ópera. O Café Zimmermann, em Leipzig, é considerado como um dos antepassados das actuais salas de concertos, embora fosse de facto um café. Entre 1729 e 1740, todas as sextas-feiras à noite, costumavam lá actuar os Collegium Musicum, a banda de JS Bach. Pensa-se que muitos dos concertos de JS Bach tenham sido escritos de propósito para lá serem tocados, bem como a chamada Cantata do Café, ne verdade uma espécie de mini-ópera cómica.
Tudo isto era para dizer que um dos meus discos preferidos é um CD com duas cantatas profanas do JS Bach, a do café e a BWV 213, 'Hércules na Encruzilhada'. Esta última, composta em 1733 para a festa de aniversário do príncipe eleitor da Saxónia, tem uma particularidade: no ano seguinte, Bach transformou-a em Oratória de Natal (BWV 248), o que diz tudo sobre qualquer suposto carácter descritivo da música. Bastou mudar a letra para passar das aventuras de Hércules às de Jesus Cristo. Voltando ao CD, é uma gravação que junta o histórico pioneiro da nova música antiga Gustav Leonhardt à excelente Orchestra of the Age of Enlightenment (uma das poucas orquestras que não tem maestro residente), mais dois cantores extraordinários: Barbara Bonney e Christophe Prégardien. É da Philips, já tem uns anos e é capaz de se encontrar por aí em versão económica.
Tudo isto era para dizer que um dos meus discos preferidos é um CD com duas cantatas profanas do JS Bach, a do café e a BWV 213, 'Hércules na Encruzilhada'. Esta última, composta em 1733 para a festa de aniversário do príncipe eleitor da Saxónia, tem uma particularidade: no ano seguinte, Bach transformou-a em Oratória de Natal (BWV 248), o que diz tudo sobre qualquer suposto carácter descritivo da música. Bastou mudar a letra para passar das aventuras de Hércules às de Jesus Cristo. Voltando ao CD, é uma gravação que junta o histórico pioneiro da nova música antiga Gustav Leonhardt à excelente Orchestra of the Age of Enlightenment (uma das poucas orquestras que não tem maestro residente), mais dois cantores extraordinários: Barbara Bonney e Christophe Prégardien. É da Philips, já tem uns anos e é capaz de se encontrar por aí em versão económica.
Com isto tudo esqueci-me de dizer que as fotos do concerto aqui em baixo são da Orquestra Sinfónica Juvenil a tocar música sacra de Vivaldi e Mozart na Igreja de S. Roque, no passado domingo.
22.11.04
Alguém conhece algum bar em Lisboa onde se possa fugir à ditadura dos DJs? Ou seja, um sítio onde se oiça simplesmente *pop*
contemporânea, sem revivalismos? Assim uma espécie de Radar ou Oxigénio à tarde, em forma de bar?
contemporânea, sem revivalismos? Assim uma espécie de Radar ou Oxigénio à tarde, em forma de bar?
Para sairmos "disto" (...) basta uma oposição persistente e sólida, conduzida com inteligência e um firme desprezo. Eles tratam do resto.
Estou siderado -- o VPV a apelar a uma maioria PS, ele que deve gostar deles ainda menos que o Jerónimo de Sousa!
Estou siderado -- o VPV a apelar a uma maioria PS, ele que deve gostar deles ainda menos que o Jerónimo de Sousa!

Uma vez ouvi um relato sobre um músico indiano que assistiu em Lisboa ao seu primeiro concerto de música erudita europeia. No final a anfitriã portuguesa perguntou-lhe como tinha sido o concerto. O indiano estava espantado.

Primeiro os músicos entram, sentam-se e começam a afinar os instrumentos. O público tosse.

O maestro entra com os solistas. Os outros músicos levantam-se, o público aplaude. O maestro vira-se para o público.

O maestro vira-se de costas, as pessoas calam-se e a orquestra começa a tocar enquanto o maestro esbraceja furiosamente.

De vez em quando a orquestra pára de tocar e as pessoas tossem.

Às tantas páram de tocar mas o público em vez de tossir, aplaude. O maestro e os solistas fazem uma vénia na direcção do público.

O maestro vira-se para a orquestra, abre os braços e os músicos levantam-se. O público continua a aplaudir.

O maestro e os solistas vão-se embora (um deles acariciando a careca), os músicos sentam-se e o público levanta-se, continuando a aplaudir.

O maestro e os solistas voltam a entrar e a subir ao pódio, viram-se para o público e fazem nova vénia.

Os músicos esperam que eles saiam, depois arrumam os intrumentos e vão-se também embora. O publico volta a tossir de novo e abandona a sala.
Lá na Índia é muito diferente, dizia ele. Por exemplo, se o solista está a tocar muito bem, desatamos a aplaudir. Se aquilo que ele estiver a tocar for mesmo muito bonito, aplaudimos ainda mais e pedimos-lhe para tocar a mesma parte outra vez, e ele toca. Também não há estas partes de silêncio em que as pessoas tossem.

Como muitos da minha geração, suponho, passei a ver a fotografia com outros em meados do anos 80 graças ao António Sena, ao Pedro Miguel Frade e aos Encontros de Fotografia de Coimbra. Antes disso vivíamos numa terrível ignorância. Aqui em Lisboa, recordo-me em particular duma retropectiva do Robert Frank na SEC, creio que organizada pelo PMF, dum efémero festival organizado já não sei quando pela CML em que havia, entre outras coisas, uma grande retropectiva do Doisneau e uma exposição do Mapplethorpe num bar do Cais do Sodré. Dois dos maiores acontecimentos foram a revelação de dois ilustres deconhecidos portugueses pelo António Sena: o próprio pai dele, o Sena da Silva, e o Gérard Castello-Lopes (aqui está uma entrevista com o G C-L em que ele conta a história). Uma das fotos dele que me marcou logo foi aquela ali em baixo, entre outras razões porque sempre gostei muito daquele sítio, um dos meus primeiros recantos secretos de Lisboa, ali à rua da Madalena.
20.11.04

Ainda dizem que os portugueses não são eficientes. Ia eu todo contente ver o buraco que engoliu dois carros em Sta. Apolónia e já estava praticamente tapado. Que seca, podiam ter deixado pelo menos um dia, para o pessoal que estava a trabalhar e não pôde ir logo ver. Que saudades do Tolan.

A jukebox do Esteves! As minhas preferidas eram as dos Tom Tom Club, o Perfect Skin do Lloyd Cole e o Like a Rolling Stone. Este jukebox faz-me sempre lembrar a Teresa Salgueiro, que adorava vir par aqui fazer karaoke com músicas pimba portuguesas. Era o máximo. Eu quando era puto era viciado em jukeboxes. Lembro-me de uma ao pé do liceu onde andei em Sintra. Antes disso, tinha aí uns 8 anos, ia muitas vezes ter ao escritório do meu pai na Sidónio Pais para irmos para casa. Cravava-lhe moedas de 1 escudo, acho que era, e enquanto ele não se despachava ia para o café da esplanada do parque Eduardo VII ouvir música na jukebox. Beatles, Hollies e coisas assim. Lembro-me do ar estupefacto dos empregados.

Este senhor está a encetar uma quartola. Adoro estas palavras arcaicas. E eu que já visitei tantas adegas e nunca tinha visto tal coisa. Como bom citadino habituado a carregar em botões, não percebo nada de tecnologia. Fazia-me confusão como é que se tirava o batoque para enfiar a torneira sem provocar uma inundação de vinho. Desta vez vi tudo: corta-se o batoque rente, põe-se lá a torneira, dá-se uma pancada forte com um martelo (pode ser um de picar carne, como se vê) e já está. Uma amiga minha ficou intrigada com esta história: 'Mas então depois a rolha fica lá dentro. E quando voltam a encher a pipa fica lá outra rolha, e às tantas aquilo fica cheio de rolhas lá dentro, não?' Pois, não sei. Se calhar essas rolhas saem por aquele buraco maior quando se lava a vasilha, quem sabe.
18.11.04
Algumas curiosidades sobre este blog:
Uma parte importante das visitas vêm de duas pesquisas no Google. Uma é imagens de 'ursinhos', por causa duma foto que tenho com esse título, que é dum quadro pintado por uma rapariga de que não me lembro o nome. Um dos ursinhos tem vestida uma t-shirt com um caralhinho, e o quadro sai-se muito bem a meio de uma quantidade de ursinhos idiotas. A outra busca é 'casas putas Lisboa'.
A maioria das visitas são feitas durante a semana às horas de expediente, e aos fins de semana não vem quase ninguém, o que é muito bom sinal -- têm mais que fazer.
Cerca de 10% das visitas vêm de fora da Europa. Neste momento, por exemplo, o Nedstat indica visitas de Taiwan, Israel e Hong-Kong. E também da República Checa e da Roménia.
Uma parte importante das visitas vêm de duas pesquisas no Google. Uma é imagens de 'ursinhos', por causa duma foto que tenho com esse título, que é dum quadro pintado por uma rapariga de que não me lembro o nome. Um dos ursinhos tem vestida uma t-shirt com um caralhinho, e o quadro sai-se muito bem a meio de uma quantidade de ursinhos idiotas. A outra busca é 'casas putas Lisboa'.
A maioria das visitas são feitas durante a semana às horas de expediente, e aos fins de semana não vem quase ninguém, o que é muito bom sinal -- têm mais que fazer.
Cerca de 10% das visitas vêm de fora da Europa. Neste momento, por exemplo, o Nedstat indica visitas de Taiwan, Israel e Hong-Kong. E também da República Checa e da Roménia.
17.11.04
16.11.04

Pedro Paiva e João Maria Gusmão ganharam o prémio EDP. Não vi a exposição do CCB, mas parece que inclui peças que já tinha visto na ZDB. Não me admira nada o prémio - gosto muito do trabalho deles, embora me faça confusão o excesso de paleio que eles fazem questão de imprimir em cada exposição, e que a princípio me deixou de pé totalmente atrás, porque normalmente a quantidade de conversa é inversamente proporcional à qualidade da coisa propriamente dita. Maiz uma vez a ZDB está de parabéns, a acrescentar à excelente programação musical nos últimos tempos e ao novo site que pela primeira vez funciona bem. Aliás, a ZDB pela primeira vez parece funcionar bem toda ela. Levou 10 anos mas foi. Parabéns outra vez.
Ainda a crise da indústria discográfica: em Lisboa, nos últimos meses, a VGM e a Carbono mudaram para instalações maiores, a Ananana parece que se prepara para fazer o mesmo, e abriu a Trem Azul. Será tudo efeito do encolhimento da secção de CDs da Fnac?
Pedro Santana Lopes está a fazer ao PSD o que Paulo Portas fez ao CDS: criar dentro de um partido, um novo partido o PP. É mais difícil fazê-lo no PSD, que tem um lastro muito especial e é um partido de grande dimensão, menos plástico a “refundações”, mas, se lhe for dado tempo e oportunidade, é o que ele tentará fazer. Não é aliás um projecto novo, já tem história no muito esquecido projecto de um “partido social-liberal”, pensado por Lopes e anunciado pelo Independente de Portas.
Pois. Eu cá estou de fora mas sempre me pareceu isso. Teorias da conspiração?
Pois. Eu cá estou de fora mas sempre me pareceu isso. Teorias da conspiração?

Xiu Xiu @ ZDB, 31-10-04

Yari mais uns de que não sei o nome @ Souk, 2-11-04

Antony @ Lux, 10-11-04

Coco Rosie @ Lux, 10-11-04

Bad Lover & Hysterica Iberya @ Fnac, 12-11-04

Zany Dislexic Band @ ZDB, 12-11-04

JER Ensemble @ ZDB, 13-11-04
- Já não sei para que lado me vire.
- Porque é que não experimentas fazer como as raparigas? Vais cortar o cabelo, compras umas roupas e já está.
- Boa ideia.
- Porque é que não experimentas fazer como as raparigas? Vais cortar o cabelo, compras umas roupas e já está.
- Boa ideia.
A primeira versão do Firefox tinha alguns pontos fracos. A versão 1.0 parece até agora fantástica - rapidíssima, até parece que mudei de computador de repente, e não há problema com alguns blogs que não carregavam bem na versão anterior (e o meu que é pesadote vai num instante). Vale a pena, e não só para chatear a Microsoft. Instala-se em dois minutos e xau Explorer!

Fiquei hipnotizado por esta foto que vi na barriga de um arquitecto. O autor é o Sérgio Delgado, aka Sérgio Rodrigo. Prometo não roubar muito mais vezes fotos de outros blogs nem doutros sítios mas desta vez não resisti. Esta foto parece-me um bom exemplo de como se pode tirar partido dos pontos fracos do digital - o 'achatamento' dá-lhe um ar de pintura.
15.11.04

Não é fácil encontrar fotos de fotógrafos portugueses na net. Esta é uma das primeiras que vi do Augusto Alves da Silva, um dos maiores da actualidade juntamente com o Luís Campos. Dos mais antigos gosto muito do Gérard Castello-Lopes, do Sena da Silva, do Fernando Lemos e do Joshua Benoliel. E vários outros antigos e modernos. Lembrei-me disto porque acho muito boa a qualidade de alguns fotoblogs portugueses - provavelmente há por aí muitos ilustres quase desconhecidos. Mas faz parte da coisa de ser uma arte democratizada.
14.11.04

Agora que se fala tanto em crise da indústria discográfica, mp3, preço dos CDs, direitos de autor e por aí fora, alguém me sabe explicar porque é que os CDs do Tom Waits são sempre mais baratos que todos os outros?
12.11.04
11.11.04

O Ball of Dirt é um alojador de fotos de viagem, organizadas geograficamente com mapas dos percursos e tudo. A foto em cima é de Flavio Bottini, foi tirada em S. Luiz do Maranhão e faz parte de uma série sobre o Brasil.
10.11.04
Para os curiosos da linguística portuguesa como eu, o site do ILTEC (Instituto de Linguística Teórica e Computacional, uma instituição cujos sócios são a Universidade de Lisboa, a Nova, e a FCT) tem uma quantidade de artigos disponíveis online em formato PDF. Alguns são bastante acessíveis e debruçam-se sobre problemas que são estão sempre a ser discutidos por aí sem rigor nenhum, como as questões da norma, da mudança da língua, da língua-padrão, dos dialectos do português, dos neologismos e dos estrangeirismos. A quem estiver interessado, aconselho a ler aqui os artigos do Tiago Freitas e outros, sobre neologismos e estrangeirismo, e da Maria Helena Mira Mateus, sobre os outros temas.
9.11.04
Foi uma surpresa descobrir que a Margarita Correia, que me iluminou em tempos com umas aulas inesquecíveis de lexicografia e lexicologia, publicou no ano passado três artigos no hiperjarreta Ciberdúvidas: sobre a questão da autoridade dos dicionários como fonte da norma; sobre a inovação lexical; e sobre a inovação lexical associada ao 25 de Abril. O primeiro destes artigos é uma excelente introdução às bases da lexicografia, para compreender o que é um dicionário e aquilo que os dicionários não são. Que contraste com as múmias do Ciberdúvidas e outras Edites Estrelas deste país.
8.11.04
Gostei muito deste texto no Mil Folhas, a propósito da inauguração das novas instalações da Casa da Culura da Calheta, na Madeira (uma instituição que tem feito um trabalho interessantíssimo). Diz Ana Vaz Milheiro:
A Madeira é muito provavelmente, hoje, um lugar "único" no mundo. É, com toda a certeza, exemplar em Portugal, funcionando como uma espécie de pré-visualização futurante do país. Em termos de ocupação do território, a Madeira está a criar um ciclo (novo) de hiper-realismo português. Não é só um território em profunda mutação paisagística; é um lugar onde se experimenta sem esforço uma sensação próxima da "amnésia": aqui o tempo sofreu um processo de indiscutível aceleração.
Há que considerar a paisagem da ilha; uma paisagem que se atravessa, através da nova rede de túneis, como uma trépida viagem de submarino, onde pontualmente se emerge à superfície. Nesta, existem agora camadas de sedimentos recentes construídos sobre um tecido paisagístico ancestral e que são equivalentes a saltos temporais brutais. Substituiu-se o subdesenvolvimento pelo hiperdesenvolvimento.
Só não concordo com os termos 'hiperdesenvolvimento' e 'hiper-realismo'. Mas lá que é hiper-pós-qualquer-coisa, é. Pode sair-se dos tais túneis e encontrar, por exemplo, camponeses de foice ao ombro como há 100 ou 200 anos atrás

e a seguir apanhar um elevador que desce uma escarpa de uns 300 metros até lá abaixo, dar um mergulho e almoçar. Já agora, é o melhor restaurante que conheci lá desde há muitos anos, e recomendo vivamente. Fica na Fajã dos Padres, Quinta Grande.
A Madeira é muito provavelmente, hoje, um lugar "único" no mundo. É, com toda a certeza, exemplar em Portugal, funcionando como uma espécie de pré-visualização futurante do país. Em termos de ocupação do território, a Madeira está a criar um ciclo (novo) de hiper-realismo português. Não é só um território em profunda mutação paisagística; é um lugar onde se experimenta sem esforço uma sensação próxima da "amnésia": aqui o tempo sofreu um processo de indiscutível aceleração.
Há que considerar a paisagem da ilha; uma paisagem que se atravessa, através da nova rede de túneis, como uma trépida viagem de submarino, onde pontualmente se emerge à superfície. Nesta, existem agora camadas de sedimentos recentes construídos sobre um tecido paisagístico ancestral e que são equivalentes a saltos temporais brutais. Substituiu-se o subdesenvolvimento pelo hiperdesenvolvimento.
Só não concordo com os termos 'hiperdesenvolvimento' e 'hiper-realismo'. Mas lá que é hiper-pós-qualquer-coisa, é. Pode sair-se dos tais túneis e encontrar, por exemplo, camponeses de foice ao ombro como há 100 ou 200 anos atrás

e a seguir apanhar um elevador que desce uma escarpa de uns 300 metros até lá abaixo, dar um mergulho e almoçar. Já agora, é o melhor restaurante que conheci lá desde há muitos anos, e recomendo vivamente. Fica na Fajã dos Padres, Quinta Grande.
Tinha-me passado despercebida esta notícia do DN de 2-11: o bastonário da Ordem dos Médicos vai abrir um inquérito sobre a actuação dos médicos no caso da jovem que foi há dias absolvida do crime de aborto. Se se confirmar que a chefe do serviço de ginecologia violou o dever de sigilo profissional ser-lhe-á instaurado um processo disciplinar. Germano de Sousa diz que «O nosso Código é muito claro: só se pode divulgar informação confidencial em certas circunstâncias, e sempre com autorização prévia do bastonário. E num caso destes jamais autorizaria.». Quanto à confusão reinante entre os médicos sobre o conflito entre o dever de participar um crime e/ou colaborar com a polícia, Germano de Sousa acrescenta: «É muito simples. O médico só pode denunciar um crime se estiver em causa a protecção e o interesse do paciente. Jamais se a denúncia for contra o próprio paciente, como no caso do Amadora-Sintra.»
Na mesma edição, outra notícia cita um ginecologista que diz o seguinte: se, numa situação destas não houver socorro adequado, isso pode ocasionar «a morte, por perda de sangue ou por infecção generalizada, caso a placenta fique retida», ou complicações que levem à esterilidade. A médica teme que essas situações aumentem por medo da denúncia. «Já acontecia antes, por causa dos outros julgamentos. Que fará agora, que se atraiçoou a confiança das utentes nos hospitais?»
Ou seja: esta história, em vez de mostrar que a lei actual está muito bem, como o provaria a absolvição da rapariga, segundo diversos adversários da liberalização do aborto, aponta no sentido contrário. Depois deste caso, amplamente publicitado e inédito por a denúncia ter partido dos profissionais de saúde que trataram a doente, muitas mulheres poderão deixar de recorrer aos hospitais por complicações pós-aborto clandestino, o que lhes poderá custar a vida.
É de ler isto também.
Na mesma edição, outra notícia cita um ginecologista que diz o seguinte: se, numa situação destas não houver socorro adequado, isso pode ocasionar «a morte, por perda de sangue ou por infecção generalizada, caso a placenta fique retida», ou complicações que levem à esterilidade. A médica teme que essas situações aumentem por medo da denúncia. «Já acontecia antes, por causa dos outros julgamentos. Que fará agora, que se atraiçoou a confiança das utentes nos hospitais?»
Ou seja: esta história, em vez de mostrar que a lei actual está muito bem, como o provaria a absolvição da rapariga, segundo diversos adversários da liberalização do aborto, aponta no sentido contrário. Depois deste caso, amplamente publicitado e inédito por a denúncia ter partido dos profissionais de saúde que trataram a doente, muitas mulheres poderão deixar de recorrer aos hospitais por complicações pós-aborto clandestino, o que lhes poderá custar a vida.
É de ler isto também.
A imprensa é das áreas mais instáveis que há hoje em dia. Todos os anos abrem publicações, fecham publicações, umas sobem, outras descem, e nós que trabalhamos nelas temos que aguentar estes sobressaltos. Desde há mais ou menos um ano eu tinha três locais onde colaborava regularmente. Agora, um deles subiu tanto que resolveu contratar jornalistas e as minhas colaborações desceram drasticamente, enquanto o outro simplesmente acabou. De modo que estou numa situação insustentável. Portanto, se alguém ler isto e precisar, ou souber de alguém que precise de uma pessoa para trabalhar na área de edição/comunicação, pode mandar uma mensagem para oceusobrelisboa@sapo.pt e eu envio CV na volta do correio. Sou licenciado e tenho bastante experiência em diversas funções na área da imprensa, como redactor médico, jornalista, copy-desk, copy-writer, tradutor e assistente de fecho de edição.
Arranjei um sítio só para pôr as minhas fotos preferidas. Está aqui. Depois vou ver se as ponho maiores.
7.11.04

Vale a pena ir à Mãe d'Água das Amoreiras nem que seja só para subir ao terraço e ver uma vista invulgar de Lisboa. É uma zona de consolidação relativamente recente em predomina a habitação de classe média-alta, um pouco caótica na melhor tradição lisboeta, e com exemplos da melhor e pior arquitectura dos últimos 50 anos. Esta vista do alto das Amoreiras é especialmente interessante, com as torres do Taveira e aquele bloco enorme ao lado, uns 10 anos anterior. O Graça Dias dizia em tempos do BNU do Taveira, na 5 de Outubro, que não percebia porque é tante gente se escandalizava com o, e ninguém protestava pelo edifício da RTP, que é muito pior. O argumento tem ainda mais força aqui: as torres, que são o melhor que o Taveira fez até hoje, são indubitavelmente melhores que aquele bloco gigante de apartamentos, que rivaliza com elas em volumetria com a desvantagem de ser horrível.

Em toda a zona há bons exemplos de como se pode construir fora de contexto de forma inteligente, como este prédio de habitação que, não sei porquê, é bastante anónimo e não aparece em nenhuma publicação sobre a arquitectura de Lisboa que eu conheça (suspeito que deve ser uma obra tardia do atelier do Cristino da Silva, mas não garanto). Apesar de ser enorme, o impacto é atenuado pelo recuo em relação à rua, e a forma em arco resulta bastante elegante permite contornar o inconveniente de o lote estar virado para norte.
Ali ao fundo, um exemplo contrário, como aquele prédio negro na Alexandre Herculano que esmaga a obra-prima do Ventura Terra que está mesmo ao lado.

Este prédio no início da Artilharia 1 também não aparece referido em lado nenhum, apesar de ser exemplar na forma como resolveu o potencial conflito de escala com os prédios vizinhos. Só tem dois pisos nas esquinas, o que faz com que seja bastante discreto para quem passa nas ruas adjacentes. Além disso é bastante bonito, embora já tenha sido muito mais quando era todo revestido a azulejo branco.
A única explicação que encontro para o anonimato destes edifícios é o star-system da arquitectura que leva a que só se fale do que é feito pelas ditas stars.
Quem se interessa por dicionários tem de ler a recensão do Houaiss na última edição do Expresso, por Fernando Venâncio, uma das raríssimas pessoas (na verdade só me lembro de mais uma) que já escreveu sobre eles na imprensa portuguesa. Confesso que nunca peguei no Houaiss, apontado por algumas pessoas como bom exemplo contra o alegadamente execrável Dicionário da Academia. Mas fonte seguríssima já me tinha dito que na edição portuguesa do Houiass havia graves problemas de adaptação ao português de Portugal.
Ri-me sozinho por várias vezes ao ler a recensão. Primeiro, fiquei a saber que o coordenador da edição portuguesa é nada mais nada menos que o Malaca Casteleiro, o mesmo do Dicionário da Academia. Segundo, parece que o Houaiss, apesar das suas 228 mil entradas, sofre do mesmo problema dos outros dicionários portugueses: o critério incongruente de inclusão de palavras. Fernando Venâncio observa, por exemplo, que não estão registados os advérbios 'actualmente', 'especialmente', 'exactamente', 'geralmente', 'imediatamente', 'normalmente', 'principalmente' e 'relativamente', e ainda outras palavras vulgaríssimas como 'multibanco', 'retornado', 'Pide', 'realojar' e 'esferovite' (esta deu-me especial gozo por causa de eu a ter escolhido para o título do artigo que em tempos escrevi sobre dicionários). Aparecem termos tabu que fazem estrecemecer os espíritos mais puritanos mas não vulgaridades como 'balda', 'pimba' ou 'pedrada'. Em contrapartida, o Houaiss regista perto de quatro mil entradas referentes aos nomes referentes a habitantes de localidades brasileiras (desde 'nova-ipixunense' a 'manhumirinense'), para além de preciosidades análogas às que infestam o Porto Editora, como 'teleangectásico'.
Muito interessante é a passagem em que Fernando Venâncio fala dos problemas relacionados com a datação das palavras, em que o Houaiss regista a data de dicionarização. Não fazia ideia que o célebre 'prontos!' é geralmente atribuído ao Miguel Esteves Cardoso (não no Houaiss) mas já existia em 1950, pelo menos. Para quem ainda acredita que os dicionários são revelações divinas, veja-se também, por exemplo, que 'contraproducente' só é registado nos dicionários em 1973 mas remonta a mais de 100 anos antes (1850).
Ri-me sozinho por várias vezes ao ler a recensão. Primeiro, fiquei a saber que o coordenador da edição portuguesa é nada mais nada menos que o Malaca Casteleiro, o mesmo do Dicionário da Academia. Segundo, parece que o Houaiss, apesar das suas 228 mil entradas, sofre do mesmo problema dos outros dicionários portugueses: o critério incongruente de inclusão de palavras. Fernando Venâncio observa, por exemplo, que não estão registados os advérbios 'actualmente', 'especialmente', 'exactamente', 'geralmente', 'imediatamente', 'normalmente', 'principalmente' e 'relativamente', e ainda outras palavras vulgaríssimas como 'multibanco', 'retornado', 'Pide', 'realojar' e 'esferovite' (esta deu-me especial gozo por causa de eu a ter escolhido para o título do artigo que em tempos escrevi sobre dicionários). Aparecem termos tabu que fazem estrecemecer os espíritos mais puritanos mas não vulgaridades como 'balda', 'pimba' ou 'pedrada'. Em contrapartida, o Houaiss regista perto de quatro mil entradas referentes aos nomes referentes a habitantes de localidades brasileiras (desde 'nova-ipixunense' a 'manhumirinense'), para além de preciosidades análogas às que infestam o Porto Editora, como 'teleangectásico'.
Muito interessante é a passagem em que Fernando Venâncio fala dos problemas relacionados com a datação das palavras, em que o Houaiss regista a data de dicionarização. Não fazia ideia que o célebre 'prontos!' é geralmente atribuído ao Miguel Esteves Cardoso (não no Houaiss) mas já existia em 1950, pelo menos. Para quem ainda acredita que os dicionários são revelações divinas, veja-se também, por exemplo, que 'contraproducente' só é registado nos dicionários em 1973 mas remonta a mais de 100 anos antes (1850).
Em suma, há duas coisas que me atraem bastante no modo como as autarquias dos EUA (pelo menos algumas) são administradas: primeiro, a transparência orçamental e a possibilidade de os cidadãos se pronunciarem sobre as grandes opções orçamentais; segundo, o facto de as políticas locais serem centradas em questões muito pramáticas e imediatas.
Se há um domínio em que a oposição esquerda/direita não faz muito sentido, ou pelo menos tem de pôr-se em termos diferentes, é a administração local. Segundo a lógica do Political Compass (com os dois eixos direita-esquerda e autoritário-libertário), eu sou da esquerda libertária moderada, mas no que toca à política local sou da esquerda autoritária porque é uma das áreas em que o mercado comprovadamente não funciona. Ou seja, sou a favor de uma autoridade forte do estado, com o máximo de transparência e de participação dos cidadãos, e fortes limitações do direito à propriedade sempre que esteja em causa o bem comum. O Cacém e as Mercês são os expoentes do urbanismo libertário, e a Baixa e Alvalade os expoentes do urbanismo autoritário. Opto pelo último sem pensar duas vezes.
Se há um domínio em que a oposição esquerda/direita não faz muito sentido, ou pelo menos tem de pôr-se em termos diferentes, é a administração local. Segundo a lógica do Political Compass (com os dois eixos direita-esquerda e autoritário-libertário), eu sou da esquerda libertária moderada, mas no que toca à política local sou da esquerda autoritária porque é uma das áreas em que o mercado comprovadamente não funciona. Ou seja, sou a favor de uma autoridade forte do estado, com o máximo de transparência e de participação dos cidadãos, e fortes limitações do direito à propriedade sempre que esteja em causa o bem comum. O Cacém e as Mercês são os expoentes do urbanismo libertário, e a Baixa e Alvalade os expoentes do urbanismo autoritário. Opto pelo último sem pensar duas vezes.
5.11.04

Partindo do princípio de que os donos desta empresa querem ser 'os glutões do entulho', trata-se dum erro muito interessante que poderá auxiliar os historiadores da língua portuguesa do século XXII. A tendência para o fechamento das vogais átonas no português de Portugal é tal que elas tendem a desaparecer da língua falada. Pronunciamos, por exemplo, 'pelotão' e 'Plutão' quase da mesma maneira. Como 'glutão' não é uma palavra que se veja frequentemente escrita, suponho que o autor fez a analogia com 'gulodice' (que muita gente pronunciará 'gludice') para escrever 'golutões'.

O sistema político americano tem coisas muito interessantes. Este senhor aqui em cima chama-se John Salazar, pertence ao Partido Democrático, é agricultor e foi agora eleito para a Câmara dos Representantes federal, depois de ter estado na Câmara dos Representantes do Colorado. Embora o site oficial da candidatura mencione a questão da guerra do Iraque, os pontos mais importantes do programa eleitoral dele são a protecção dos recursos aquíferos do Colorado, o apoio à agricultura e o desenvolvimento de um sistema de saúde acessível para os 'hard-working Coloradans'. Aparentemente, o tema central da campanha foi a questão da água. O site menciona detalhadamente quais as iniciativas legislativas que o candidato apoiou enquanto representante na assembleia estadual.
Mais interessante ainda é o modo como funcionam os condados, unidades administrativas abaixo dos estados. Os poderes dos condados variam bastante conforme os estados, e é na Califónia que eles são mais amplos.
Nas eleições de terça-feira passada, por exemplo, os eleitores do condado de S. Francisco pronunciaram-se sobre uma série de medidas a serem tomadas pela autarquia.
Eis alguns exemplos das 15 propostas referendadas:
Deverá a cidade contrair um empréstimo de 200 milhões de dólares para comprar, construir ou renovar habitação a preços moderados e auxiliar indivíduos e famílias com rendimentos baixos ou moderados?
Deverá 15% do actual imposto suplementar sobre hotéis ser alocado para adquirir, preservar e manter cinemas de bairro de ecrã único e para apoiar a indústria cinematográfica local?
As propostas da administração local são explicadas em publicações distribuídas gratuitamente à população, com as alternativas em que o orçamento pode ser aplicado. Parece que dos Estados Unidos só cá chegam os maus exemplos. Quem nos dera que as nossas autarquias fossem assim transparentes. Limitamo-nos a votar num candidato, mais ou menos conforme as nossas simpatias políticas, que depois de eleito faz o que lhe dá na bolha.
4.11.04
Aqui está o mapa eleitoral de 2004, praticamente igual ao de 1860. Mantém-se a oposição entre os estados mais burgueses e industrializados e os estados rurais, só que os partidos trocaram de posição; agora os Democratas são liberais e os Republicanos conservadores.
Sobretudo a partir da presidência reformista de Franklin Roosevelt, os Democratas vão-se afirmando cada vez mais como 'liberais', mas sempre dependeram dos votos do Sul conservador, que manteve fiel até ao final dos anos 1970. Por estranho que nos pareça hoje, por exemplo, George Wallace, o famigerado governador do Alabama que se opôs obstinadamente ao fim da segregação racial, era um Democrata. O facto de os Democratas no poder federal nos anos 1950-60 terem tomado partido contra a segregação racial fê-los perder progressivamente o apoio eleitoral do Sul, que acabou por se tornar Republicano desde a eleição de Reagan em 1980. A influência do Sul conservador e fundamentalista religioso no Partido Republicano acabou por contribuir para a sua radicalização à direita, enquanto os Democratas, por oposição, se tornaram mais assumidamente 'liberais'.
3.11.04
As eleições de 1860 nos EUA, ganhas por Abraham Lincoln, do Partido Republicano. A defesa da abolição da escravatura por Lincoln provocou a Guerra da Secessão. A verde, os estados ganhos pelos Republicanos; a castanho, os Democratas; a cinzento, os Whigs. Comparar com o mapa das eleições de hoje.
1.11.04

Muito agradável, este espaço público no chamado Castelo de Almada.

Debaixo do coreto fizeram este espaço secreto para jogar à bisca.

Tirei este skyline de Lisboa de lá.

Fico sempre surpreendido com os terrenos cultivados a meio da cidade, como este em pleno centro de Almada. Portugal ainda está tão próximo do mundo rural.

O Salão Minhoto, Cabeleireiro de Homens na rua dos Poais de São Bento, é uma montra da cultura popular portuguesa.

E as cadeiras são lindas.



























