30.8.05



As fotos do Wolcen estão agora geo-referenciadas -- pode-se clicar num link que abre um mapa com a localização da foto, e há também uma ligação ao Google Earth que vai lá dar. Vão lá ver -- e mandem fotos. As únicas regras são: fotos sem tratamento, tiradas para o céu a um ângulo de 90º, e sem que apareça nenhum objecto, fora nuvens, estrelas e eventualmente planetas (ovnis não sei, talvez se abra uma excepção). Já há fotos do Japão, de Inglaterra, Portugal, Paquistão e EUA, pelo menos, se bem que sejam bastante parecidas, mas a piada é mesmo essa. Não vale batota.




Esta é Dolores Montoya, mais conhecida como Lole, a cantaora dos Lole y Manuel (Molina). O primeiro disco deles, Nuevo Día, faz agora 30 anos, tantos quanto deve ter esta foto. Foi uma pequena revolução no flamenco no início da transição democrática, um pouco como a MPP por cá, com a enorme diferença de não ser feita por intelectuais mas sim por jovens provenientes da tradição cigana.
Não sei explicar a emoção avassaladora que continuo a sentir ao ouvi-la, como da primeira vez, nem sei há quantos anos. Foi o início duma paixão por Espanha. Da primeira vez que lá fui, no princípio dos anos 1980, os Lole y Manuel eram já popularíssimos, e agora são, ao que parece, considerados os precursores da renovação do flamenco.
Entretanto separaram-se há mais de uma década, nunca mais ouvi falar deles mas fiquei agora a saber por esta entrevista que a Lole Montoya gravou um CD o ano passado (com a colaboração do seu ex-Manuel, da mãe La Negra e da filha Alba, ambas também cantaoras), que actua na Casa Patas, um dos mais famosos tablaos madrilenos, e que nunca se livrou do mito Lole y Manuel. Lá tenho que ir lá outra vez urgentemente, com um carregamento de lenços.
Podem ouvir aqui em baixo 'Nuevo Día', a canção (a ver se desta vez funciona), e espero que percebam.

(Isto em autoplay é uma seca, fica aqui o link para quem quiser)

27.8.05











Estas fotos foram tiradas um dia destes na Fajã dos Padres/Quinta Grande, um sítio genial que mostra como se pode contribuir para o bem da humanidade ganhando algum dinheiro entretanto. Se me pedissem para recomendar um só sítio na Madeira seria este, uma quinta que só é acessível de barco e de elevador,com um pequeno cais, água transparente, e ainda por cima um dos melhores restaurantes que existem por cá, a preços normalíssimos. Só dias depois reparei que fotografei, sem querer, aquele objecto ali em cima que aparece na capa do livro do Paulo Catrica sobre a Madeira. Aquelas silhuetas na terceira foto a contar de baixo são pessoas a pescar de cana com as pernas dentro de água, algo que nunca tinha visto aqui. Dei uma volta subaquática por ali, e o fundo é magnífico. A ver se volto lá com uma máquina estanque.

26.8.05




Uns amigos meus que estiveram cá o ano passado ficaram extasiados com isto, e só agora percebi porquê. Conhecia a velha Livraria Esperança, a única que existia nos meus tempos de adolescente e onde alguns dos meus amigos se tornaram peritos na arte de roubar livros. Um deles vangloriava-se de roubar um determinado livro e depois perguntar ao empregado por ele, que o procurava em vão e dizia 'mas ainda há bocado estava aqui', ao que o ladrão respondia 'pois, esses malandros'. Era (e é) uma livraria velhinha num primeiro andar duma casa antiga, parecia uma biblioteca particular e tinha a particularidade de ter um ficheiro com os autores ordenados pelo primeiro nome -- o Hemingway estava na letra E, o Pessoa no F e por aí fora.
Agora, a Sucursal, que fica do outro lado da rua dos Ferreiros, anuncia-se como 'A maior livraria de Portugal', e é bem capaz de ser. É uma antiga casa burguesa, enorme, com três pisos e imensas divisões com tectos de estuque, e tem desta vez a particularidade de não ter estantes -- os livros estão pendurados por todo o lado, até no tecto, exibindo a capa e não a lombada como é costume.


Eu procurava um livro esgotadíssimo e que não consegui encontrar nos alfarrabistas de Lisboa. Andei, andei e não o vi, até que uns amigos madeirenses que encontrei por lá (um deles a ler BDs sentado num degrau) me sugeriram que pedisse aos empregados, que agora eles tinham um computador (com os livros já não ordenados pelo primeiro nome do autor). O nome do livro lá estava, mas agora encontrá-lo. Estão expostos mas não por ordem alfabética nem qualquer outra, apenas por secções algo aleatórias como todas as secções. Ao fim de 20 minutos, eu e uma empregada não conseguimos descobri-lo numa parede forrada de livros (há um letreiro à entrada que diz 'É expressamente proibido aos empregados procurarem livros sem serem acompanhados pelos clientes'), até que ela pediu licença para ir à Sede do outro lado da rua e lá voltou com ele.

A factura é linda. Em cima diz 'Livraria Esperança/ Fundada em 1886/ Fundação Livraria Esperança IPSS/ Declarada de Utilidade Pública', depois tem a data, o nome do livro, a importância e o total, tudo escrito a esferográfica, e um carimbo com a rubrica do empregado por cima. Em baixo diz 'Processado por Computador'.

25.8.05



O Chris Bunting, que conheci (salvo seja) por causa do sítio de fotos do céu para o qual já contribuí algumas vezes, manda dizer que agora que tem um novo blog, publicado por telemóvel e made in Japan, para onde ele se mudou entretanto.


Uma das coisas interessantes que acontecem no Funchal é haver uma rede internética sem fios de alta velocidade gratuita em grande parte da baixa, nos principais espaços públicos. Ao fim da tarde vêem-se raparigas nos bancos dos jardins de portátil ao colo. Não sei se é útil, mas lá interessante é.

24.8.05





A vida nocturna funchalense parece ter um ponto alto de 15 em 15 ou de 20 em 20 anos, mais ou menos. Um dos pontos altos foi por volta de 1990. Este bar, que são dois (este é o Sucata, no primeiro andar, com matrecos e bilhares, e há o Fórmula 1 no rés-do-chão, com pista de dança) foi inaugurado em 1987, conforme me acaba de informar um dos empregados, e sucedeu a uma célebre casa de alterne chamada Safari. Nos tais tempos áureos era o único bar não beto, cheio de camaradelobenses ao ataque às nórdicas, ou vice-versa. O mais democrático, de longe (embora por lá parasse ao balcão um tal de marquês do Funchal, segundo disse o MEC uma vez), o último a fechar, e muitas vezes o mais divertido. Aqui é que deviam ter feito as noites de música electrónica divertida, e não nesse antro ultrabeto-gay-tiesco em que se transformou o Café do Teatro.

23.8.05



Conta Pedro d'Anunciação, no último Expresso, que, num documentário sobre o João Cutileiro que passou na TV, um amigo do escultor sintetizou-lhe assim as excelsas qualidades: "Ele é muito pouco português".
Pedro d'Anunciação prossegue assim:

"Estou a imaginá-lo [ao tal amigo do Cutileiro] sentado na esplanada da Suíça [...] a deitar olhares críticos aos passantes. Carregando um sobrolho desiludido, cada vez que identifica uma silhueta tipicamente nacional. Mas abrindo um sorriso largo, de uma satisfação vinda da alma, quando vê uma tez estrangeira [...], e a comentar para si: "Lá vai um génio, aquilo é que é um artista, tal e qual o Cutileiro".

Uf, pensei eu ao ler isto, finalmente alguém escreve sobre a absurda e triste figura que tantos portugueses fazem ao exaltarem as incontáveis virtudes dos estrangeiros e as inevitáveis fraquezas dos nacionais. E quanto a eles próprios e às pessoas de quem gostam, se lhes encontram alguma virtude é porque não são bem portugueses (é uma questão de manter alguma sanidade mental apesar de tudo).

Há uma vantagem em viver-se num sítio com um nível de escolaridade tão baixo como a Madeira, que é a de rarissimamente se ouvirem barbaridades como as do amigo do João Cutileiro (que não tem culpa nenhuma). As classes altas comparam-se aos melhores do mundo, pelo que são motivo de chacota generalizada. E o resto das pessoas têm o bom senso suficiente para não se acharem os maiores nem idolatrarem os de 'lá fora', mas gostam disto aqui e prezam a família e os amigos. Percebem que outras ilhas, como a Grã-Bretanha, são incomparavelmente melhores em tudo (a começar pelo facto de serem muito maiores), excepto no clima e na paisagem (as pessoas é conforme são amigas ou não), e por isso se precisam de dinheiro, ou querem estudar, vão para lá e voltam quando já não precisam de lá estar. Exactamente como fez o Cutileiro há quarenta e tal anos.

22.8.05













Um passeio até ao Cabo Girão no veleiro americano de 1949 que ofereceram ao meu velho amigo João na Florida e ele reconstruiu e trouxe até cá para passear nas férias. O João é skipper profissional há vinte e tal anos, vive na Antilhas e costuma passar o Verão aqui, na época baixa do outro lado do Atlântico por causa dos furacões.

17.8.05



Outra vez na Madeira, passado quase um ano. Desobri por que já não sinto aquela sensação de estar a chegar a outra dimensão ao aterrar -- simplesmente, as chegadas dos aviões deixaram de ser anunciadas no altifalantes. Aquela voz com um sotaque incrivelmente diferente despertava em mim todas as memórias da ilha, era como se de repente mudasse de identidade.


Cheguei de noite e fui logo dormir. O choque ficou para o dia seguinte. A incrível e quase inútil rede de túneis que agora furam a ilha dá-nos a sensação de andarmos sempre de metro, rapidíssimo, e de repente emergimos em sítios assim, onde antes se demorava várias horas a chegar -- e às vezes era preciso jipe. Uma típica patuscada de fim de semana madeirense, com várias gerações de pessoas de várias famílias a comer espetos de carne, a beber vinho e a disparatar.


Aquelas 10 pessoas faziam mais barulho que as restantes 10 mil que moram ali à volta.

Os sitios como este vão escasseando, mas as pessoas mantêm-se iguais.

E os arraiais de Verão com as suas quantidades descomunais de carne, álcool, música pimba aos berros, bandas de metais e foguetes.


Um catolicismo muito sui generis, ou terá sido sempre assim em todo o lado, talvez seja a própria essência dele. Apetece pedir um par de ténis 41 e uma nossa senhora média, por favor.

9.8.05




E agora uma coisa completamente diferente: a lendária desafinação dos Collegium Musicum do rock'n'roll, os Sonic Youth. Alguém dedicou uns anos da sua vida a investigar a (des)afinação de cada uma das guitarras usadas em cada uma das músicas deles e está quase a conseguir (em um ou dois casos a resposta é 'tanto faz'). O resultado está aqui, e quem quiser tentar tocar tem as tablaturas aqui e o catálogo (não exaustivo, mesmo assim) de guitarras aqui (não diz quantas são, mas seguramente mais de 100).

(via Juramento sem Bandeira, provavelmente a melhor referência musical da net portuguesa)


Por falar em barroco, era uma pena não pôr aqui a foto da fachada da capela que é encimada pela imagem que aparece ali em baixo.


A igreja matriz de Olhão é um pouco pesadona mas tem aqueles ornamentos lindos que fazem com que alguns estrangeiros digam que as igrejas portuguesas (as do Sul, pelo menos) parecem confeitaria. Esta então tem puro chantilly no topo.


Um diálogo inter-Atlântico com o Milton Ribeiro, sobre JS Bach, lembrou-me a magnífica revista Goldberg, inteiramente dedicada à música antiga e barrosa, e certamente uma das melhores do mundo nesse campo. Publica-se em inglês, francês e espanhol e é, além do mais, linda (a imagem vem de lá). O site da Goldberg não dá tanto prazer como folhear a revista, mas é também muito bom e tem grande parte do conteúdo -- monografias sobre compositores, recensões de discos, entrevistas. Alguns exemplos fantásticos são este artigo sobre Biber ou a entrevista com Reinhard Goebel, um dos principais protagonistas da 'nova música antiga'. Uma curiosidade: já consagradíssimo, primeiro violino e director dos Musica Antiqua Koln, Goebel sofreu uma paralisia da mão esquerda que o impediu de continuar a tocar. Não desistiu, reaprendeu a tocar com o violino do lado direito, e hoje afirma-se 'o melhor segundo violino do mundo'. Nada modesto, mas tem muitas razões para isso.

4.8.05





Esta coisa de chegar atrasado. As pessoas não estavam de pé pelo motivo que eu tinha pensado -- uma nova maneira de trabalhar para o bronze, muito mais racional de resto -- mas sim porque havia, momentos antes, uma baleia ali mesmo ao pé. Eu bem a vi na máquina digital duma veraneante que ainda lhe tinha conseguido apanhar uma barbatana fora de água antes que vários barcos a enxotassem, não fosse ela suicididar-se ali mesmo, a mania que elas têm. Não me lembrei foi de fotografar a fotografia, assim poderia mostrar-vos uma baleia perto da praia da ilha de Tavira. Ou talvez não, talvez as pessoas estivessem mesmo apenas a apanhar sol de pé, e uma delas tinha uma máquina com uma baleia fotografada no Discovery, e assim vocês veriam apenas uma fotografia duma máquina fotográfica na ilha de Tavira com uma imagem duma baleia tirada da TV.
Seja como for, antigamente eram tantas as baleias por aqui que havia quem dedicasse a vida a caçá-las, e uma antepassada desta até deu uns pulos fora de água quando viu o barco do Sebastião rei de Portugal, o que foi, claro, interpretado como uma manifestaçäo de júbilo dos seres marinhos pela visita real.

O relatório de 2003 da Gulbenkian ficou disponível, aqui, prometem o de 2004 para breve e têm ainda a amabilidade de informar de que, entretanto, pode ser consultado na sede (e eu que já tinha pensado ir à BN). Afinal mais parece um esquecimento do que outra coisa -- naquela vida excitantíssima que eles devem ter lá, subitamente lembraram-se que talvez fossem obrigados a divulgar os relatórios

3.8.05





Do Festival de Sines, retive o Hermeto Pascoal. Muito anos 70, talvez, pouco arrojado para quem conhece melhor, talvez, mas que maravilha, sim.



Também gostei dos KTU, apesar de não ter ouvido o acordeonista.



Em Sines valeu também a descoberta de que a minha pensão favorita empresta bicicletas aos clientes (pasteleiras, com teias de aranha verdadeiras), e assim já não fui a pé a São Torpes ver a minha praia favorita, e a magnífica arte pública pelo caminho.




A Restinguinha continua a ter as melhores migas que conheço, e agora com também vista para a bicicleta.



E um feliz encontro deu, entre outras coisas, para viajar numa das máquinas dos meus sonhos, uma viagem pela viagem numa praia ambulante.



E há quem diga que só os americanos é que se lembram destas coisas. Bom, na verdade este episódio representa uma espécie de legitimação da existência de Olhão, ao ponto de as armas do concelho lhe fazerem referência (e valeu-lhe o título 'da Restauração' outorgado pelo regime liberal oitocentista). Apesar de ser bastante inverosímil que a coisa tenha tido alguma importância para as tropas do Napoleão. Mas são sonhos dos quais todos precisamos.



Digam-me lá que isto não é uma maravilha (apesar de provavelmente representar uma pessoa a ser consumida pelas chamas do purgatório). Está numa capela que fica no recinto da Sé de Faro, e não sei mais nada.


Vale a pena visitar a exposição Lagos, Anos 60-80, com pinturas e esculturas de quatro artistas que mantiveram alguma relação com a cidade (Joaquim Bravo, João Cutileiro, Álvaro Lapa e António Palolo) quase todas provenientes de colecções particulares e raramente vistas. Consegui, muito a custo, iludir a vigilância da diligente funcionária encarregada de impedir fotografias, e aqui está uma escultura do Cutileiro em acrílico revestido a pó de bronze, de 1964 salvo erro.




Não me recordo de alguma vez ter saído furioso duma exposição. Aconteceu agora com uma coisa chamada 'Habitar Portugal 2000-2002', organizada pela Ordem dos Arquitectos e que está neste momento em Faro, depois de ter passado por Aveiro. Pelo que se percebe do folheto, trata-se das divulgação das melhores obras de arquitectura concluídas no período referido, escolhidas por um 'comissariado' que reúne imensa gente. São nove projecções de slides em simultâneo, a que o público pode assistir em outras tantas cadeirinhas, respeitantes a 76 projectos. O tal folheto tem um texto significativamente intitulado 'Levitar sobre a realidade', cheio de (...).
Como divulgação da arquitectura, é difícil imaginar pior. Na mesma mesa onde estão as tais folhecas (tamanho A3 dobrado em seis) há também umas folhas de abaixo-assinado para a revogação do famigerado 73/73, e é tudo. Por muito boa arquitectura que façam, não vale brincar aos carapaus de corrida duma forma tão incompetente. Se a OA não é capaz de organizar uma exposição capaz, como é que querem sensibilizar quem quer que seja para a obrigatoriedade de os projectos serem feitos por arquitectos? A divulgação da boa arquitectura portuguesa é demasiado importante, é possível fazê-la bem e há quem o saiba fazer sem armar aos cágados (por exemplo, o José Manuel Fernandes, o Paulo Varela Gomes, que infelizmente não o faz há muito tempo, ou mesmo o Graça Dias, que tem dias). Assim não vamos a lado nenhum.

Para responder à questão que colocas [o facto de só estar disponível online o relatório de 2000 da Gulbenkian]: no sítio da Fundação podes ir a "english version", aí procuras "The Foundation", escolhes "Annual Report" e tens acesso às 227 páginas do Relatório, Balanço e Contas de 2003 em versão PDF.

Este é um fragmento de uma das mais espantosas cartas que alguma vez vi publicadas num jornal (neste caso o Público, sexta-feira passada), e vem assinada Jorge Wemans, director do serviço de comunicação da Fundação Gulbenkian. A pessoa a quem Wemans se dirige é o Augusto M. Seabra, que, numa crónica publicada dias antes, falava do aparente consenso que existe em relação a todas as actividades (e inactividades) da Gulbenkian, e sugeria que esse aparente consenso resulta do facto de grande parte dos opinadores públicos (para não dizer praticamente todos) estarem, duma maneira ou doutra, relacionados com a fundação, e sugeria que a Gulbenkian devia passar a ser mais transparente nas suas opções, já que vivemos numa democracia há 31 anos. Wemans responde que o facto de apenas estar disponível, em português, o relatório de 2000 deve-se a estarem "num momento de transição para um novo sítio".
Fiquei a saber que a Gulbenkian tem um director de comunicação chamado Jorge Wemans, o qual nunca se sentiu no dever de intervir em toda a celeuma que rodeou a extinção do Ballet Gulbenkian (e, muito mais importante que isso, que rumo leva a fundação), acha normal que um relatório não esteja disponível na língua que é a do país onde a fundação tem a sua sede estatutária por causa duma remodelação informática (apesar de estarmos a meio do ano de 2005), e, presume-se, só se dá ao trabalho de dar essa informação porque se sentiu espicaçado pelo ex-colega fundador do Público, tratando-o na primeira pessoa para não ficarem dúvidas que eles se conhecem de ginjeira há imenso tempo. Como se mais ninguém tivesse nada a ver com o assunto, como se não fosse normal (e legalmente obrigatório) qualquer instituição pública divulgar os seus relatórios anuais.
As suspeições sobre a vontade de transparência da Gulbenkian ficam assim inteiramente clarificadas. Obrigado, Jorge Wemans, por nos dissipares as dúvidas.

Agora em directo do Algarve.

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