30.10.05



Fontão de Carvalho, actual vereador responsável pelas finanças da Câmara de Lisboa, diz (Público, 29-11-05) que a CML, no anterior mandato, viveu "erradamente" com um orçamento sobreavaliado de 800 milhões de euros. O mesmo Fontão de Carvalho tinha o pelouro das finanças da CML no anterior mandato e foi ele que apresentou na Assembleia Municipal o orçamento de 2005, no valor de 821 milhões de euros, que foi chumbado pela AM, ficando a CML sujeita a funcionar com duodécimos do orçamento de 2004, o tal dos 800 milhões de euros.
Fontão de Carvalho foi também vereador das finanças entre 1998 e 2001, no tempo de João Soares, cuja gestão foi acusada pela vereação PSD de descalabro financeiro pouco antes de, em Setembro de 2004, Carmona convidar Fontão, eleito pelo PS, para o mesmo cargo.


Manuel Frasquilho, presidente da Administração do Porto de Lisboa, diz (Público, 28-10-05) que a construção do nó rodoferroviário de Alcântara vai arrancar em 2007 e que a ampliação para o dobro do terminal de contentores não entra em conflito com os planos de urbanização da zona, até porque "também pode ser feito ao nível das alturas".

É extraordinário como um assunto tão importante para a cidade tem passado quase despercebido, ao ponto de não ter figurado na recente campanha autárquica, e que um responsável da APL se dê agora ao luxo de convocar uma conferência de imprensa em que praticamente se limita a anunciar uma data de início para a obra e um orçamento (140 milhões de euros, presume-se que apenas para o nó rodoferroviário). Ou seja, ficamos quase na mesma. Ainda por cima, Frasquilho diz que já há uma solução aprovada. Nesse caso, tem o dever de apresentá-la (e nós de exigi-la).

Queremos saber, nomeadamente, se a ampliação se vai fazer à custa de zonas que são hoje de acesso público, como a marina de Alcântara e a zona envolvente, e o que é que a APL tenciona fazer com as antigas gares marítimas da Rocha Conde de Óbidos e de Alcântara, já que se vai construir um novo terminal para navios de cruzeiro.

Quanto à compatibilidade com os planos de urbanização, é provável que não haja conflito formal, mas ficam duas perguntas: faz sentido recuperar aquela zona da cidade e ao mesmo tempo ampliar o porto, cortando ainda mais o contacto com o rio e contrariando as intenções anunciadas pela CML durante décadas? O que o Porto de Lisboa ganha com a ampliação do terminal de contentores compensa a perda a longo prazo, para a cidade, de uma zona ribeirinha tão importante?


Uri Caine, quinta-feira passada no Chiado, a tocar Honeysuckle Rose, de Fats Waller...

... e Blackbird, de Lennon/McCartney.

26.10.05



Fico dividido perante a utilização massiva de boa música, para fins comerciais ou não. Pode acontecer que nunca mais a possa ouvir, como aconteceu com os concertos de Vivaldi conhecidos como 4 Estações -- felizmente que há centenas de outros concertos dele. Por outro lado, quanto mais gente ouvir boa música melhor, nem que seja assim. Se bem que Bach em em toques de telemóvel me pareça um ultraje.
Agora há um anúncio da Toyota na televisão, muito bem feito (os anúncios são do melhor que há na TV, às vezes a única coisa que vale a pena ver) e que tem uma música que sinto como se ma roubassem. É um trecho de JS Bach que ouvi pela primeira vez num dos meus filmes preferidos do Woody Allen, Hanna e as Suas Irmãs, onde aparece numa das cenas mais memoráveis: Michael Caine vai ao atelier onde a sua apaixonada Barbara Hershey vive com o namorado pintor, oferece-lhe um disco, põe-o no giradiscos, começa a tocar a música, de repente Caine descontrola-se, beija-a e caem os dois para cima do giradiscos. Mais tarde a música volta a aparecer quando a personagem de Caine (que ganhou um merecidíssimo Óscar por esta interpretação) anda pelas ruas de Nova Iorque a pensar nela.

Demorei uns tempos a descobrir que a tal música era o andamento lento do concerto para cravo em fá menor BWV 1056, e mais uns tempos a encontrar uma gravação, no caso a de Christophe Rousset com Christopher Hogwood e a Academy of Ancient Music. Estes concertos para cravo (oito ao todo) têm uma característica em comum: pensa-se que são transcrições de concertos para outros instrumentos cujos manuscritos desapareceram até hoje, e que Bach teria tocado com o Collegium Musicum no Café Zimmermann em Leipzig, possivelmente o primeiro estabelecimento com música ao vivo que existiu na Europa. Não se sabe bem para que instrumento teria sido originalmente escrito o BWV 1056, mas há reconstruções para violino, e para oboé, como a que aparece num CD da Naxos com Christian Hommel e a Cologne Chamber Orchestra e é igualmente lindíssima. O andamento lento apareceu primeiro na sinfonia introdutória duma cantata mais antiga, a BWV 156, que acabo de saber que é também conhecida pelo título algo tétrico de 'Ich steh mit einam Fuss im Grabe', ou seja, 'Estou com um pé no túmulo'. Quem diria.

21.10.05



O cacilheiro falhou à última hora e afinal o concerto dos Animais Collective foi no Ginjal em Cacilhas.

20-10-2005

19.10.05



O facto deste número da L'Histoire se centrar unicamente na história da colonização francesa poderá afastar muita gente em Portugal. No entanto, há vantagens neste estranhamento. Primeiro, porque, como lembra Michel Winock no artigo introdutório, o colonialismo é um fenómeno global no qual participaram vários países europeus, e Portugal é um deles. Depois, porque a questão colonial em Portugal surge quase sempre associada ao salazarismo, e torna-se de certo modo ainda mais chocante recordar que ele surgiu, na verdade, em países democráticos, e, mais ainda, num contexto em que predominavam as ideias liberais nos planos ético, político e económico -- mas também de grande influência dos ideais nacionalistas, de competição entre países, e, finalmente, de crise económica que leva as potências europeias a abrirem uma espécie de excepção e procurarem mercados protegidos e matérias-primas.

A associação entre colonialismo e salazarismo existiu de facto, mas convém não esquecer que o início da empresa colonial (no sentido historicamente localizado deste colonialismo, que pouco tem a ver com o império comercial português construído a partir do século XIV) coincidiu em Portugal com a grande contestação à monarquia e esteve intimamente ligado à queda desta. A este nível, o salazarismo limitou-se a prosseguir os ideais da I República, e ainda hoje eles se mantêm no hino nacional e na esfera armilar da bandeira portuguesa.

Ao mesmo tempo, a empresa colonial é justificada nos planos ético, com o anti-esclavagismo (na verdade, depressa substituído pelo trabalho forçado) e a ?missão civilizadora?, e científico, a pretexto de um melhor conhecimento do mundo e sustentado pelas teorias evolucionistas e difusionistas da antropologia. E aqui penso que este é um excelente tópico de meditação para aqueles que acreditam na dicotomia ciência/religião e na possibilidade duma ética científica. E não vale pôr aspas na ciência do século XIX. Era a ciência que existia na época, e de resto, em França como em Portugal, os primórdios da antropologia estão intimamente ligados às escola de administração colonial.

Outra surpresa é verificar como as ideias anticolonialistas surgem em simultâneo com o colonialismo, e aí está o extraordinário discurso de Clemenceau a comprová-lo (há mais excertos aqui). E ainda o ferocíssimo cartoon de Jossot reproduzido abaixo.

Tal como em França, em Portugal este é um tema incómodo e pouco explorado, com as ideias a oscilarem entre o complexo de culpa, a nostalgia do império e a amarga constatação de que as coisas não melhoraram depois da independência das colónias. Resta-nos tentar compreender melhor o que aconteceu sem alimentar mais anacrónicos complexos de culpa e ressentimentos.

18.10.05





A nossa sociedade democrática já não admite, em princípio, desigualdade entre os homens, entre os homens e as mulheres, entre aquilo a que se chamava antigamente "as raças". Trata-se de um progresso moral assinalável, mas é preciso perceber que se trata de uma novidade na história milenar do planeta.


Michel Winock

(Ilustração de um manual de História de 1933, com o Partido Radical no governo.)

As raças superiores, ou seja, as sociedades ocidentais que atingiram um alto grau de desenvolvimento técnico, científico e moral, têm, ao mesmo tempo, direitos e deveres face às "raças inferiores" (...) Por toda a parte devem recuar as antigas potências da ignorância, da superstição, do medo, da opressão do homem pelo homem. Assim, a acção colonizadora é fundamentalmente definida como uma obra de emancipação: por ela, e através dela, prossegue-se a luta, encetada há mais de um século em nome do espírito das Luzes, contra a injustiça, a escravatura, a submissão às Trevas.

Jules Ferry, primeiro-ministro pelo Partido Republicano, fundador da III República francesa, legislador do ensino laico e gratuito para todos, em discurso parlamentar de 1885.


(Cartaz de 1890 do Jardin d'acclimatation, em Paris, anunciando um 'zoo humano' de somalis)


São as mesmas sociedades onde predomina o discurso liberal que se vão lançar, na segunda metade do século XIX, na construção de grandes impérios coloniais. Há no fundo uma contradição interna neste discurso liberal, que no sua componente económica defende a abertura dos mercados, o free trade, e que no plano moral apoia, por argumentos filantrópicos, o fim da escravatura. Veremos defensores da liberdade, da emancipação, do progresso, dos direitos do homem, justificar, em nome desses mesmos valores, as intervenções político-militares nos locais que se tornarão colónias (...) Esta concepção universalista [das Luzes] não desapareceu do discurso do século. XIX. Mas é combatida por todos os discursos "científicos" sobre a classificação das populações e a desigualdade das raças. Estas teorias não nasceram com a colonização. Mas desenvolveram-se com ela. (...) É uma versão do discurso biológico que se classificar de paternalista; ela é sustentada pela ideia de que a evolução da Ásia e da África se fará graças à nossa influência.

Jean-Pierre Chrétien

(Cartoon de Jossot publicado em L'Assiette au Beurre, 1904.
Legenda: "Dois duma vez! Fantástico! Vais ser condecorado...")

Raças superiores, raças inferiores, é fácil de dizer! Pela minha parte, recuso essa teoria desde que vi sábios alemães demonstrar cientificamente que a França deveria ser vencida na guerra franco-alemã, porque o francês é de uma raça inferior à do alemão. (...) A conquista que você [Jules Ferry] preconiza é o abuso puro e simples da força que a civilização científica oferece sobre as civilizações rudimentares, para se apropriar do homem, torturá-lo, extrair-lhe toda a força que nele reside em benefício do pretenso civilizador. Não há o direito: isto é a sua negação. Falar de civilização a propósito disto é juntar à violência a hipocrisia.

Georges Clemenceau, deputado do Partido Radical, em resposta ao discurso de Ferry, 1885


(Citações e imagens de L'Histoire, Outubro 2005)

17.10.05



14.10.05




Aqui e agora

O liceu onde eu andei entre os 13 e os 17 anos.

Não é um edifício excepcional mas é bom. Este é um dos corredores do bloco principal das salas de aula, com as janelas viradas para a rua, a poente. As janelas das salas de aula dão para o pátio.

E isto é uma das escadas por onde se desce para o pátio.

O arquitecto é Edmundo Tavares, autor também deste notável mercado, quanto a mim uma das obras mais interessantes desta época em Portugal,


e também dos Cabos Ávila em Alfragide, para além de outros projectos menos interessantes, como alguns prédios na avenida da República em Lisboa.
O liceu, aliás, tinha um projecto inicial mais interessante, todo envidraçado e muito mais modernista, que foi recusado. É pena não ter a imagem do projecto inicial do liceu, porque é um bom exemplo dos constrangimentos que conduziam ao português suave. Na altura (1939) o liceu custou 25 mil contos, qualquer coisa como 500 mil euros de hoje, 1 milhão de contos. Um cartoon satírico da época dizia que o liceu era assim tão grande porque serviria para albergar também os pais dos alunos.

A Junta Autónoma do distrito do Funchal solicitou do Governo várias providências no intuito de se promover o aformoseamento da cidade e a melhoria de instalação de importantes serviços públicos ou de interesse público.Concordando com a ideia geral das realizações propostas, em que tomarão parte notável o Estado, a Administração Geral dos Correios e o Banco de Portugal, e prosseguindo na orientação de há muito traçada, vai o Governo, uma vez mais, fazer ao desenvolvimento e progresso da Madeira o sacrifício de importantes bens e rendimentos, convencido de que assim contribui para o embelezamento da ilha e intensificação de obras que aproveitam desde já às classes trabalhadoras.Usando da faculdade conferida pela 2.ª parte do n.º2 do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:
Artigo 1.º - É feita à Junta Geral Autónoma do Distrito do Funchal, para a construção do novo liceu, a cedência gratuita do edifício e terrenos ocupados pelo hospital militar naquela cidade e autorizada a expropriação dos outros terrenos adjacentes até complemento da área indispensável ao referido estabelecimento de ensino.

Este é um excerto do decreto-lei que tornou possível as novas instalações do liceu. Aparentemente, o "sacrifício" foi só inicial, e é duvidoso que as "classes trabalhadoras" tenham sido beneficiadas -- isso só aconteceria a partir da reforma Veiga Simão, e sobretudo depois do 25 de Abril, com a generalização do ensino até ao 9.º ano de escolaridade -- e provocando, talvez, um abaixamento do nível que é muito provavelmente fruto do acesso dos filhos das "classes trabalhadoras" analfabetas ou quase, e não de qualquer degradação da qualidade do ensino, como é vulgar afirmar-se por aí sem qualquer base empírica, que eu saiba. Na verdade, a formação dos professores melhorou bastante, apesar da degradação ao nível das instalações. Mas suponho que era economicamente inviável manter o mesmo nível de instalações para uma população escolar várias vezes superior.

Na época em que eu lá entrei, por volta de 1973, não havia dinheiro para pagar aos professores duma escola pública com umas instalações luxuosas para os padrões de hoje, com 3 ginásios, campos de andebol, vólei, básquete e futebol, piscina, laboratórios, tudo o que era preciso. Anos mais tarde, li actas da Junta Geral em que, entre verbas para arranjar estradas e outras obras urgentes, se pedia ao governo dinheiro para pagar aos professores do liceu. A Madeira e os Açores, por princípio, tinham de ser autónomos financeiramente, e o grosso das receitas da administração regional provinha das taxas alfandegárias que eram cobradas pelas importações do continente.

Os professores dividiam-se em três categorias: os que eram do quadro, uma minoria de cromos a quem nós tratávamos por nomes tão carinhosos como Porco-em-Pé ou Foca; os estagiários, que eram os únicos bons professores e que eram ainda mais minoritários; e o resto, a maioria, eram jovens um pouco mais velhos que nós que tinham feito o 7.º ano um ano ou dois antes. O ensino era mau, mas nós éramos os betos, putos da classe média/média alta, por oposição à escola industrial e comercial que era onde iam parar os filhos da classe média baixa. Um cenário que era, creio, comum a todas as cidades portuguesas naquele tempo. Pela minha percepção, ter o 7.º ano do liceu equivalia mais ou menos a ser hoje licenciado, e de resto havia os rituais das capas e das festas à imagem de Coimbra. Um pouco de cultura geral dava para ser bancário ou arranjar um emprego médio na função pública, e uma pequena minoria ia para a faculdade, de acordo com as expectativas dos progenitores. Os da escola industrial e comercial seguiam também as pisadas dos pais, um pouco mais alfabetizados.

A escola que eu conheci a seguir, a FCSH da Nova, era um descalabro arquitectónico, um work in progress entre quartel e escola, com profs melhores nalguns casos, iguais noutros. No meu departamento havia 2 doutorados 2, um luxo.

12.10.05



Segundo o Público de hoje, o orçamento da CML para 2005 é de cerca de 800 milhões de euros, à volta de 160 milhões de contos, uma verba equivalente à do orçamento do ministério das Obras Públicas. Isto dividido pelos 536 340 incritos nesta eleição (dados do STAPE) dá qualquer coisa como 1491 euros por cada um de nós.

Segundo os deputados do PCP na anterior assembleia municipal, no orçamento para 2005 não estavam previstas verbas para cobrir várias dívidas da CML: dívidas de curto prazo a fornecedores, que eram, em finais de 2003, de 185 milhões de euros, 55 milhões de dívida pelo tratamento de águas residuais nos últimos quatro anos, mais pelo menos 135 milhões de dívida à Parque Expo. O orçamento, no valor de 821 milhões de euros, foi, por essas e por outras, chumbado na assembleia municipal, pelo que a CML tem estado ao longo deste ano no regime de duodécimos, ou seja com o mesmo orçamento de 2004. Entre as receitas contavam-se 332 milhões de euros de "vendas de bens de investimento" (principalmente vendas de terrenos), contra 'apenas' 287 milhões de euros de impostos, 53 milhões de taxas, multas e outras penalidades e 42 milhões de vendas de bens e serviços correntes. Apesar disso, segundo o vereador Fontão de Carvalho (PSD), havia uma "poupança estrutural" (apelo aos nossos amigos economistas para que esclareçam o significado deste conceito) de 104 milhões de euros. Vale a pena ler o relato da discussão na AM no linque anterior.

Comparando com outros dois municípios mais ou menos ao acaso, vemos que o orçamento da CM do Porto foi em 2005 de 236,34 milhões de euros para 234 749 eleitores, ou seja 1006 euros por cada portuense, o que corresponde a 67% do valor gasto por eleitor em Lisboa. A CM do Montijo orçamentou 38 670 865 euros de receitas, para 35 201 eleitores, o que dá 1099 euros, equivalente a 74% do dinheiro gasto por cada lisboeta.

Note-se que o orçamento lisboeta não inclui os transportes públicos, o que certamente faria disparar a despesa. Espero ter feito bem as contas.

11.10.05



Outra imagem de satélite do Vince, ontem à tarde.

Dois windsurfistas a aproveitarem o vento quase ciclónico de sudoeste na baía do Funchal, também ontem à tarde. A água no primeiro plano está castanha por causa da terra arrastada pelas ribeiras sempre que chove. Os vales são demasiado encaixados e os declives muito grandes para que haja deposição de sedimentos. A ilha vai-se esboroando inexoravelmente.

O Vince hoje às 13h00 em imagem de infravermelhos, com o centro sobre a Andaluzia.


AS THE SHORT HAPPY LIFE OF VINCE IS NOW OVER...THIS WILL BE THE LAST ADVISORY. THE REMNANTS OF VINCE SHOULD CONTINUE ON A TRACK NEAR 065/20 UNTIL DISSPATION OR ABSORPTION DURING THE NEXT 6 TO 12 HOURS.

THE HISTORICAL RECORD SHOWS NO TROPICAL CYCLONE EVER MAKING LANDFALL ON THE IBERIAN PENINSULA. BASED ON SURFACE REPORTS FROM FARO PORTUGAL...THE CENTER PASSED JUST TO THE SOUTH OF THE COAST OF PORTUGAL...BEFORE BECOMING THE FIRST TROPICAL CYCLONE TO MAKE LANDFALL IN SPAIN.

FORECASTER FRANKLIN


(in último relatório da NOAA sobre o Vince. A história da curta mas feliz existência do Vince está toda aqui.)

10.10.05



Ponta do Sol, 9-10-05, 18h58

A tempestade tropical Vince, hoje às 12h00, com o centro a 280 km a NE da Madeira.

7.10.05



Segundo a sondagem Expresso/RR/SIC, a composição da CML será a seguinte:

Carmona - 8 vereadores
Carrilho - 5/6
Sá Fernandes - 1/2
Ruben Carvalho - 1
Maria José Nogueira Pinto - 1

A CML tem 17 vereadores. A acreditar nesta sondagem, 16 têm a eleição garantida. O 17.º irá para o PS ou para o BE.

Ou seja, não será nenhuma vitória retumbante para Carmona, que fica com metade menos 1 dos vereadores. O PSD ficará com a presidência, mas em minoria, obrigado a negociar apoios, como já acontece actualmente, em que conta com o apoio do vereador do CDS. Se esse apoio continuar será de MJNP, o que talvez torne as coisas diferentes. Parece que corre um rumor de que o apoio poderá também vir do PCP, o que Ruben não desmentiu nem confirmou há pouco tempo em entrevista.

Carrilho tem o melhor programa e a pior imagem, Carmona saiu-se bem, Ruben e MJNP idem. Quanto a Sá Fernandes, continuo sem perceber como passou de individualista a candidato. Estava muito melhor como dirigente dum movimento cívico que tanta falta faz em Lisboa, mas a sua presença na câmara será útil. Esta câmara ainda tem condições para ser uma das melhores da última década. Resta agora saber se já há algum acordo pós-eleitoral entre o PSD e algum dos outros partidos.

O PCP deu mais um tiro no pé, como estava toda a gente a ver menos eles, como sempre. Mesmo com o melhor candidato possível, passam de 4 vereadores, na actual câmara, para apenas 1, enquanto o PS ganha 1 ou 2 e o BE mete 1. Voto útil da esquerda: PS ou BE.

6.10.05



Um dos melhores sítios para ver a tal floresta é aqui no Rabaçal, perto da cabeceira da maior ribeira da ilha, na vertente deste lado. Fica numa das zonas mais selvagens mas é uma atracção turística há uns 150 anos.

Por contraste com as montanhas viradas a sul, como estas, na vertente norte chove imenso, mas a erosão é muito menos visível por causa da vegetação que segura o solo, e neste caso também pela relativa juventude deste relevo, que resultou duma erupção uns milhões de anos posterior.

Os passeios clássicos são ao longo de duas levadas até às 25 Fontes e ao Risco. Isto é o Risco, uma queda de água que nesta altura está seca. A levada fica mais ou menos a meio da altura entre o início e o fim da queda. Aquelas pessoas que se vê lá em cima estão no sítio de onde a água cai. Chama-se Água do Vento.

Fui até lá pela primeira vez. A vereda é selvagem qb, e é preciso ter cuidado por onde se anda por causa das raízes e das pedras dos regatos que volta e meia se tem de atravessar, embora nesta altura estejam quase secos. Fala-se mais das árvores da família do loureiro mas o que predomina aqui são urzes enormes, com uns três ou quatro metros. Muitas delas têm troncos quase horizontais que se atravessam no caminho e tem de se passar por baixo. A subir é mais complicado, acabei de descobrir depois de dar uma valente cabeçada num que até vi estrelas. O passaroco-património da humanidade andava por aqui.

Isto é a Água do Vento, onde também cairia água de lá de cima, se a houvesse agora, para este lago.

Aquele sítio aqui à esquerda em baixo foi onde eu tirei a terceira foto a contar de cima. Se houvesse água ela passava aqui sobre estas pedras. Foi o mais próximo que consegui chegar. Não vi o fim da queda, onde deve haver outro lago formado pelo impacto da água.


Parece-me que é o primeiro pássaro que se deixou fotografar por mim. Não percebo nada de pássaros. Disseram-me que é um tentilhão da Madeira, Fringilla coelebs maderensis, e parece que há imensos na floresta. Nunca tinha reparado nele. É bastante destemido, ficámos os dois a olhar um para o outro durante uns minutos. Ele mantinha um metro de distância ou coisa assim. Dizem que canta mas não ouvi.

5.10.05



a descer do Paul para a Encumeada, 5-10-05, 20h05

Há uns tempos mandei um email para a DGCI e houve um humano que me respondeu amavelmente. Agora é uma resposta automática que diz

Acusamos a recepcao do pedido de esclarecimento de V. Exa. e informamos que devera dirigir-se ao seu servico de financas e expor a situacao.

Informamos ainda que tambem estamos ao seu dispor atraves da linha de
atendimento da DGCI 707 206 707 no periodo das 9 -18h (dias uteis).

Com os melhores cumprimentos

DGCI
DM


Quem será o DM? O HAL da DGCI? Pelo menos deve ser americano, não sabe pôr os acentos. Será Direcção de Marketing?

4.10.05



Duas pessoas educadas do norte da Europa falam da sua passagem pela Madeira, rumo às Caraíbas. Verificar as diferenças (bons conhecimentos prévios sobre a geografia, geologia e história da ilha, espírito de observação).

Este é de longe o melhor blog político que já conheci. E é de esquerda.

3.10.05





O Funchal só teve direito a 63% de ecplise, e ainda por cima a partir da 9h30 apareceram nuvens do lado onde estava o sol. Estas três fotos foram tiradas por volta das 10h. Mesmo assim houve uns efeitos especiais de iluminação. Gosto especialmente da luz do sol atenuada como se vê na foto de baixo na serra lá em cima. E fico sempre espantado com a inferença generalizada a estes fenómenos celestes.

Os cisnes têm por vezes comportamentos inesperados. Há dias reparei neste pela primeira vez: estava imenso calor, ao fim da tarde, e estes três estavam aqui regalados nesta chuva artificial, tão imóveis quanto possível.
Uma vez houve uma revolta de cisnes no Funchal. Os cisnes pretos dum parque, uns 15 talvez, resolveram fugir todos ao mesmo tempo. Lembro-me de ter ficado um pedaço da tarde a observar um barco da marinha às voltas na baía atrás deles. Capturaram-nos quase todos, parece-me. Foi um acontecimento num sítio onde só acontecia qualquer coisa lá de vez em quando.

1.10.05



© 2005 Breuer et al.

A gorila Leah utilizando um pau para medir a profundidade dum charco de elefantes e apoiar-se na travessia, naquela que poderá ter sido a primeira observação dum comportamento cultural da espécie Gorilla gorilla no seu habitat natural. O artigo da PLoS Biology que a divulga está aqui e inclui fotos com grande definição. E viva a PLoS!, o projecto de revistas científicas de acesso e distribuição livre.

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