30.1.06




Já me tinham falado muito bem do Hotel Peninsular, no Porto. É de facto muito bonito, mas não recomendo por agora, especialmente durante a semana, porque está em obras (os preços são ridículos por causa disso). Espero que mantenham este ar completamente anacrónico, agora que os hotéis parecem cada vez mais iguais uns aos outros.

Por falar em anacronismos, o Porto continua a estar cheio deles, como por exemplo passeios largos sem automóveis estacionados em cima, avenidas com árvores, cafés confortáveis, aquecidos, acessíveis e não armados ao pingarelho e restaurantes bastante razoáveis a preços que em Lisboa são quase de tasca.

Um equivalente do comércio 'trendy' do Bairro Alto como o Artes em Partes parece um luxo. O cinema Passos Manuel, na cave do Coliseu, é outro luxo, lindo, um mimo dos anos 60, e transforma-se em bar à noite, onde se pode ver os mesmos músicos que passam na ZDB a metade do preço, confortavelmente sentado e com ar condicionado. E depois há bailarico.

O Porto tem menos edifícios do Cassiano Branco, mas tem o maior e mais bonito.

Em frente ao Coliseu do Cassiano há este prédio também lindo, agora todo renovado.


No penúltimo andar fica o Maus Hábitos, outro luxo portuense a preços módicos, com exposições, bar, discoteca, concertos e montes de espaço.


Estreei-me no elevador dos Guindais, que achei tão espectacular que vale a pena andar para cima e para baixo mesmo sem precisar. E adorei ver a ponte D. Luís toda pintada de novo e sem carros.


E ainda há a Casa da Música, Serralves, as esplanadas da Foz, o Rivoli, a biblioteca Almeida Garrett e sei lá que mais.


Há também os problemas que se arrastam: a sensação persistente que é uma cidade demasiado desigual, os prédios em ruína um pouco por toda a cidade, a Baixa deserta, a decadência caótica das encostas que dão para o Douro (mas que permitem por isso mesmo belos passeios), a marginal permanentemente congestionada (mais tarde ou mais cedo não haverá outro remédios senão proibir os carros particulares ali).


Mas fica-me sempre também a sensação de que a recuperação, apesar de tão lenta como em Lisboa, é mais inteligente, mais bem feita, e que os transportes públicos estão mais bem organizados (o Porto já tem por exemplo bilhetes únicos para autocarros e metro). E a quase certeza de que há mais portuenses a gostarem muito do Porto (inclusive ao nível do poder político) do que lisboetas a gostarem de Lisboa.


Na verdade, sempre que vou ao Porto tenho a sensação de estar numa cidade de luxo, não tão aprazível como Madrid mas muito mais barata.

Quando apanho o comboio de volta interrogo-me quase sempre se será boa ideia regressar a esta cidade tão maltratada e mal amada.

25.1.06



Uma muito agradável descoberta, o Adolfo L. Canibal a ler poemas dele acompanhado nas teclas pelo António Rafael, dos Mão Morta, sábado passado na ZDB. Não me pensava emocionar-me assim. Uma poesia imagética, urbana, vivida e sincera, num espectáculo simples e eficaz. Parabéns. E é um prazer ouvir a pronúncia do Norte num espectáculo em Lisboa.

24.1.06



Outra campanha bonita e divertida é a da Vueling, que está por todo o lado em Madrid e não sei se já apareceu por cá (passaram a ter uma ligação aérea baratucha Lisboa-Madrid). Aqui está uma versão em Flash dos outdoors e anúncios de imprensa. E já agora a promessa de voos desde 10 euros para a capital do país ao lado. Resta saber quanto são as taxas.

Extraordinário, o anúncio do Honda Civic em que os sons do carro são feitos por um coro. Está aqui, também com vídeos dos ensaios.

23.1.06





A Fada do Lar, exímia ilustradora, figurinista, cenógrafa, cozinheira e, claro, fada do lar, entre muitas outras coisas, inaugurou um blog requintadíssimo como tudo o que ela faz. Aqui

20.1.06



Alguns sítios por onde tenho andado:


Monsanto, 10-01-06



Ladoeiro, 6-01-06


Garrovillas, 8-01-06

Uma agradável surpresa à chegada: a Carris antecipou-se ao previsto e reabriu a ligação entre o elevador de Santa Justa e o largo do Carmo. Além das vistas dá imenso jeito, portanto toca a usar.

17.1.06



A redacção tem andado bastante itinerante e, principalmente, offline quase todo o tempo. Andamos também baralhados com as mudanças de nomes do blog e com as viagens terrestres e aéreas dentro da Ibéria e arredores e um pequeno exílio semanal num canto da Lusitânia. Mas ainda não foi desta que o blog acabou, apesar de alguns redactores ameaçarem demissão, principalmente os da secção Lisboa, que se queixam com razão de não lhes ligarem nenhuma. Os posts seguem dentro de um dia ou dois.

2.1.06




Depois das maravilhas da alta velocidade, descobrir que a viagem de comboio de Madrid para Segóvia (uns 90 km) é feita nos comboios suburbanos ('Cercanias') e demora duas horas é bastante desconcertante.


No entanto, a viagem vale a pena pelas paisagens da serra de Guadarrama, algo que se vai perder com a nova linha AV em construção, que passa por baixo em túnel. Os autocarros são uma alternativa e demoram apenas uma hora. De Segovia, uma cidade lindíssima, é fácil apanhar autocarros para Ávila e Salamanca e daqui, quem sabe, para a Guarda, uma experiência que fiquei a pensar tentar mais tarde neste ano.

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