17.1.07
Acabo de reparar que há anos que não compro nenhum disco da Carla Bley. Isto porque estou a ouvir este, que já é de 1988. Promoção: Carla Bley's band keeps shrinking. In 1971, she recorded Escalator Over The Hill with a cast of dozens; a decade later, she was leading a 10-piece group; after that, it was a sextet. Now, it's just a piano-bass duo with the masterful Steve Swallow. The textures may be thinner, but the ideas are as big and outrageous as ever, and the playing is so accurate it's almost scary.Acrescentaria que esta é possivelmente a primeira gravação em que a Carla aparece claramente como pianista, superando o lugar-comum do compositor-muito-bom-mas-nem-por-isso-bom-instrumentista. Um disco lindo, muito cool, que confirma a fantástica empatia musical entre estes dois.
Este Fleur Carnivore é do ano seguinte, 1989. Talvez o mais consensual disco dela, e uma das melhores obras para big band que conheço.Já agora mais outros discos fantásticos da Carla aqui na prateleira (lista não exaustiva):
Este nem sequer merece o título de mais controverso: acho que sou só eu que gosto muito dele. Muita gente acha-o um dos piores, o que é um disparate. Quando a Carla esteve cá no Coliseu a tocá-lo deu direito a apupos. Música de sofá muito antes do tempo (1985), escrita de propósito para o Steve Swallow. A estranheza que provova no ouvinte tem a ver, para além dos arranjos de gosto duvidoso, com o facto de ser o baixo eléctrico que está em destaque, sempre no registo mais agudo.
Este foi o primeiro a ser editado em nome próprio, em 1971, quando a Carla era só uma compositora muito requisitada. Suponho que não há nada parecido com isto -- qualquer coisa como uma ópera jazz-pop. A lista de participantes é enorme, de Don Cherry a Jack Bruce, de Gato Barbieri a Linda Ronstadt, de Roswell Rudd a Jack McLaughlin, passando por Viva Superstar (as herself), em três anos de gravações. Tem de se ouvir pelo menos uma vez na vida.Depois da Jazz Composers Association, que teve a sua própria editora, a JCOA, a Carla fundou com o Michael Mantler a Watt Records, um caso pelo menos raro de independência artística. De início gravavam apenas os discos dos dois, e depois os dos novos membros da família -- Steve Swallow, novo companheiro da Carla, e a filha Karen Mantler. Hoje a Watt edita apenas os discos da Carla, e uma subsidiária, a XtraWatt, os do Steve Swallow.
A Carla Bley é também o único músico/compositor/arranjador que gravou vários discos undercover, sob o nome de músicos famosos, mas com composições e arranjos inteiramente dela. O primeiro foi A Genuine Tong Funeral, disfarçada de Gary Burton, em 1967; seguiu-se Liberation Music Orchestra, sob o nome de Charlie Haden, em 1969; e em 1981 o Nick Mason's Ficticious Sports, um disco pop em que o baterista dos Pink Floyd se limita a tocar bateria e a Carla e os seus amigos fazem tudo o resto.
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