11.4.07
Sobre Vasco Pulido Valente, um comentário a um post de Fernanda Câncio é ainda melhor que o post:
Ele há dois níveis possíveis de leitura da coisa, um histórico e outro filosófico. No primeiro explicita-se a nossa menoridade relativa e o facto de todos os nossos grandes feitos, se olhados mais ao perto, serem uma tremenda porcaria, darem ares de ópera-bufa, não valerem coisa nenhuma. No segundo percebe-se que isso não é um particularismo português mas uma doença da humanidade: mesmo os países que, ao contrário de Portugal, devem ser levados a sério (leia-se: a Inglaterra, a Inglaterra e a Inglaterra), se olhados mais ao perto, são também uma fraude e os seus grandes feitos uma encenação miserável: a batalha de Inglaterra foi um caos organizativo, Trafalgar foi uma sorte danada, a Invencível Armada foi o vento que a lixou e por aí fora. Chegamos portanto ao limiar da filosofia: a história está povoada de impostores e os grandes homens têm todos a estatura moral do Dustin Hoffman, pelo que nos devemos limitar a assistir, com o conforto possível, à passagem das horas, sem esperar nada de teorias vãs. A leitura histórica é a que alimenta o proletário da prosa, que tem de escrever três-crónicas-três por semana, sobre assuntos que interessem aos cafres que como ele gastam o seu tempo neste país mal frequentado, a leitura filosófica, do vencido da vida (desta e de todas as vidas possíveis) é a que ficará para a posteridade. O autor é um pouco como aquela Brasserie ali do Chiado: o entrecôte não é mau, mas não adianta pedir outros pratos que não há.
Ele há dois níveis possíveis de leitura da coisa, um histórico e outro filosófico. No primeiro explicita-se a nossa menoridade relativa e o facto de todos os nossos grandes feitos, se olhados mais ao perto, serem uma tremenda porcaria, darem ares de ópera-bufa, não valerem coisa nenhuma. No segundo percebe-se que isso não é um particularismo português mas uma doença da humanidade: mesmo os países que, ao contrário de Portugal, devem ser levados a sério (leia-se: a Inglaterra, a Inglaterra e a Inglaterra), se olhados mais ao perto, são também uma fraude e os seus grandes feitos uma encenação miserável: a batalha de Inglaterra foi um caos organizativo, Trafalgar foi uma sorte danada, a Invencível Armada foi o vento que a lixou e por aí fora. Chegamos portanto ao limiar da filosofia: a história está povoada de impostores e os grandes homens têm todos a estatura moral do Dustin Hoffman, pelo que nos devemos limitar a assistir, com o conforto possível, à passagem das horas, sem esperar nada de teorias vãs. A leitura histórica é a que alimenta o proletário da prosa, que tem de escrever três-crónicas-três por semana, sobre assuntos que interessem aos cafres que como ele gastam o seu tempo neste país mal frequentado, a leitura filosófica, do vencido da vida (desta e de todas as vidas possíveis) é a que ficará para a posteridade. O autor é um pouco como aquela Brasserie ali do Chiado: o entrecôte não é mau, mas não adianta pedir outros pratos que não há.
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